A qualidade de som dos temas depende da qualidade de som que é mantida durante a produção. A qualidade de som dos samples/sons sintetizados que se usam nas misturas influencia a qualidade do som final.
Quando falamos em qualidade do áudio digital temos em conta dois factores essenciais: o 'sample rate' e o 'número de bits'.
A natureza do som digitalO conceito de 'sample rate' e 'bits' surge por causa da natureza do som digital. O som DIGITAL é descontínuo e constituído por bits (bocados) de informação (binária - sequências de 0 e 1).
O som ANALÓGICO por sua vez é contínuo - o som natural dos instrumentos é de natureza analógica, contínua no tempo. Mas quando o som natural dos instrumentos é gravado e convertido em som (linguagem) digital surgem as propriedades de 'sample rate' e 'bits'.
O som digital são milhares de pequenos bocados (samples) copiados, por segundo, do som contínuo analógico e depois juntos, numa fase posterior, para recriar esse som contínuo, mas já usando a linguagem binária (0 e 1).
Os sons convertidos são armazenados em memória (disco rígido) em vários formatos áudios conhecidos: .wav; .Mp3; .aiff, etc..
As placas de som usadas na gravação possuem conversores chamados de ADC (analogic to digital converters) que servem para codificar o som analógico para digital. O som digital dentro dos computadores é processado e manipulado na produção usando os DAW (digital audio workstations) como o Cubase, Logic Pro, Ableton Live, Acid Pro, FL Studio etc, etc. Antes do som chegar cá fora e ser ouvido nas monitoras/colunas existem outros conversores chamados de DAC (digital to analogic converters) que servem para descodificar o som digital para analógico novamente. Pois o som que ouvimos nas colunas já é analógico, contínuo ao longo do tempo.
Enquanto que os DAW´s usados na produção permitem um controlo da gravação de som, sequência/processamento e controlo da reprodução, as placas de som e os seus conversores ADC e DAC permitem a transformação do som entre analógico e digital.
É esta capacidade de interacção entre o DAW e a placa de som que faz tudo acontecer!
O 'sample rate' e o 'número de bits'Como o som digital é constituído por 'bocados' (amostras/samples) de informação retiradas do som contínuo analógico, o 'sample rate' e os 'bits' têm que ser as propriedades desses 'bocados', certo?
O 'sample rate' é o número de bocados de informação captados do som analógico, por segundo.
Quanto maior o número de samples captados por segundo, maior é o sample rate (tamanho de amostragem, traduzindo para português).
Maior 'sample rate' permite (re)criar um som analógico com mais detalhe. Baixo 'sample rate' recria um som analógico com menos qualidade.
Sendo o 'sample rate' a quantidade de bocados captados por segundo, o 'número de bits' é pois o tamanho desses bocados de informação. Quanto maior forem esses bocados/amostras, é maior a qualidade do som.
Para o som gravado em stereo essa informação é duplicada para dois canais left/right. Por isso, gravar som com elevado 'sample rate' e 'número de bits' pode criar ficheiros áudio de grande tamanho.
8-bits é igual a 1 byte. 16-bits é igual a 2 bytes. 24-bits é igual 3 bytes.
De notar que, 1000 bytes é igual a 1 Kilobyte e que 1000 Kilobytes é igual a 1 Megabyte.
Tendo em conta que estamos a gravar um som com um sample rate de 44.100Hz (o que significa 44.100 bocados de informação captados
por segundo) e tendo em conta que o tamanho de cada um desses bocados captados é 16-bits (tamanho binário que representa o sample), concluímos que
cada segundo gravado deste som terá um tamanho de 44.100 vezes 2 bytes (lembrem-se que 16-bits é igual a 2 bytes). O resultado final deste cálculo é 88.200 bytes, o mesmo que 88,2 Kilobytes (lembrem-se que 1 Kilobyte são 1.000 bytes).
Se 1 segundo de áudio gravado a 44.100Hz sample rate e 16-bits (qualidade CD) tem 88,2 kilobytes de tamanho, um ficheiro áudio com duração de 1 minuto terá um tamanho em memória de 60 (segundos) vezes 88,2 Kilobytes, ou seja aproximadamente 5,29 Megabytes (relembrem que 1000 Kilobytes é 1 Megabyte).
Entretanto é preciso ainda chamar a atenção para um outro factor importante que é o Stereo e o Mono.
Estará o áudio a ser gravado em Stereo ou em Mono? Se o áudio de duração de 1 minuto, do exemplo anterior, estiver a ser gravado em stereo, temos então dois 2 canais diferentes, o left e o right. Neste caso o tamanho do ficheiro será 2 vezes os 5,29 Megabytes (de cada canal), ou seja 10,58 Megabytes.
De acordo com os cálculos anteriores, é de prever que um CD-áudio contendo 10 temas, cada um com duração de 4 minutos, terá aproximadamente 423,2 Megabytes de informação gravada na sua superfície.
Recomendações para manter a boa qualidade do som durante as produçõesA qualidade final do som de um tema sofre na maior parte das vezes um 'downgrade'.
A tendência para esta perca de qualidade é causada pela forma como o áudio é manipulado durante as produções. A forma como os efeitos de estúdio são usados e a baixa qualidade do seu processamento, a re-síntese danosa do áudio (função muito usada no time-stretching/pitch shifting) e a forma como o áudio é processado pelo 'Sound Engine' do próprio DAW, são só alguns exemplos.
O uso generalizado do Mp3 e outros formatos comprimidos para, cada vez mais, divulgar/mostrar a nossa música é o golpe final no 'downgrade' do áudio, oferecendo muitas vezes uma experiência sonora medíocre.
Deste modo, é sugerido que quanto maior é o cuidado em manter a qualidade do som elevada durante as produções, maior é a probabilidade do som continuar a soar bem quando tivermos uma versão final cá fora com qualidade degradada. Aqui estão algumas dicas que podem ajudar a manter a qualidade:
1- Na gravação de material ter em atenção em manter pelo menos 44100 Hz de sample rate (standard para qualquer gravação) e 24-bits (caso a vossa placa de som permita esta elevada resolução). Se o vosso software de produção permite processamento áudio interno a 32-bits ou superior, verificar se as configurações aproveitam ao máximo essa capacidade.
Dica: não se exige mais de 44100Hz sample rate a não ser que se grave material que tenha frequências sonoras acima dos 22050 Hz - talvez no futuro seja importante quando o DVD substituir o CD de uma vez por todas porque oferece qualidade áudio superior.
2- Nunca usar samples/sons que tenham menos do que 44100Hz sample rate e 16bits (formato .wav ou .aiff para mac). Abaixo deste patamar a qualidade das misturas são postas em causa, a não ser que seja suposto a música soar Lo-Fi. Mesmo que seja para criar uma mistura Lo-Fi é melhor partir de sons com boa qualidade e depois degradá-los com efeitos. Jamais usar samples/sons em formatos 'lossy' comprimidos, como o Mp3. Optar por usar sons em formato descomprimido .wav ou .aiff (para mac) é uma decisão inteligente.
3- Para quem faz produções usando muita informação midi e pouco áudio, tem a vida facilitada porque grande parte dos VST´s têm uma qualidade interna de som elevada (24bits ou mais). Para quem usa bastante áudio tem que ter atenção aos pontos referidos antes.
4- Regra geral manter os projectos de produção a 24 bits (standard). Projectos a 24bits ou mais já são standards.
5- Para aqueles produtores que usam software separado para pré-masterização da mistura final, optar sempre por exportar a mistura final
no mínimo a 24 bits. Mantendo as misturas a 24 bits ou superior, durante a pré-masterização, produz o melhor resultado possível quando depois se exporta para outros formatos de menor qualidade (16bits ou Mp3).
Boas produções

L-band