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36625 Mensagens em 3888 Tópicos- por 5059 Membros - Membro Mais Recente:

Terça, 22 Maio, 2012, 08:49:30
MBN FórumMúsica & ClubbingProdução Áudio & DjingInformação técnica e teórica / Recursos (Moderador: L-band)Qualidade do som - a importância do 'sample rate' e dos 'bits'
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Autor Tópico: Qualidade do som - a importância do 'sample rate' e dos 'bits'  (Lida 4207 vezes)
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L-band
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« em: Quinta, 14 Junho, 2007, 16:10:51 »

A qualidade de som dos temas depende da qualidade de som que é mantida durante a produção. A qualidade de som dos samples/sons sintetizados que se usam nas misturas influencia a qualidade do som final.
Quando falamos em qualidade do áudio digital temos em conta dois factores essenciais: o 'sample rate' e o 'número de bits'.


A natureza do som digital

O conceito de 'sample rate' e 'bits' surge por causa da natureza do som digital. O som DIGITAL é descontínuo e constituído por bits (bocados) de informação (binária - sequências de 0 e 1).
O som ANALÓGICO por sua vez é contínuo - o som natural dos instrumentos é de natureza analógica, contínua no tempo. Mas quando o som natural dos instrumentos é gravado e convertido em som (linguagem) digital surgem as propriedades de 'sample rate'  e 'bits'.
O som digital são milhares de pequenos bocados (samples) copiados, por segundo, do som contínuo analógico e depois juntos, numa fase posterior, para recriar esse som contínuo, mas já usando a linguagem binária (0 e 1).
Os sons convertidos são armazenados em memória (disco rígido) em vários formatos áudios conhecidos: .wav; .Mp3; .aiff, etc..

As placas de som usadas na gravação possuem conversores chamados de ADC (analogic to digital converters) que servem para codificar o som analógico para digital. O som digital dentro dos computadores é processado e manipulado na produção usando os DAW (digital audio workstations) como o Cubase, Logic Pro, Ableton Live, Acid Pro, FL Studio etc, etc. Antes do som chegar cá fora e ser ouvido nas monitoras/colunas existem outros conversores chamados de DAC (digital to analogic converters) que servem para descodificar o som digital para analógico novamente. Pois o som que ouvimos nas colunas já é analógico, contínuo ao longo do tempo.

Enquanto que os DAW´s usados na produção permitem um controlo da gravação de som, sequência/processamento e controlo da reprodução, as placas de som e os seus conversores ADC e DAC permitem a transformação do som entre analógico e digital.
É esta capacidade de interacção entre o DAW e a placa de som que faz tudo acontecer!  bigsmile


O 'sample rate' e o 'número de bits'

Como o som digital é constituído por 'bocados' (amostras/samples) de informação retiradas do som contínuo analógico, o 'sample rate' e os 'bits' têm que ser as propriedades desses 'bocados', certo?

O 'sample rate' é o número de bocados de informação captados do som analógico, por segundo.
Quanto maior o número de samples captados por segundo, maior é o sample rate (tamanho de amostragem, traduzindo para português).
Maior 'sample rate' permite (re)criar um som analógico com mais detalhe. Baixo 'sample rate'  recria um som analógico com menos qualidade.

Sendo o 'sample rate' a quantidade de bocados captados por segundo, o 'número de bits' é pois o tamanho desses bocados de informação. Quanto maior forem esses bocados/amostras, é maior a qualidade do som.
Para o som gravado em stereo essa informação é duplicada para dois canais left/right. Por isso, gravar som com elevado 'sample rate'  e 'número de bits' pode criar ficheiros áudio de grande tamanho.

8-bits é igual a 1 byte. 16-bits é igual a 2 bytes. 24-bits é igual 3 bytes.
De notar que, 1000 bytes é igual a 1 Kilobyte e que 1000 Kilobytes é igual a 1 Megabyte.

Tendo em conta que estamos a gravar um som com um sample rate de 44.100Hz (o que significa 44.100 bocados de informação captados por segundo) e tendo em conta que o tamanho de cada um desses bocados captados é 16-bits (tamanho binário que representa o sample), concluímos que cada segundo gravado deste som terá um tamanho de 44.100 vezes 2 bytes (lembrem-se que 16-bits é igual a 2 bytes). O resultado final deste cálculo é 88.200 bytes, o mesmo que 88,2 Kilobytes (lembrem-se que 1 Kilobyte são 1.000 bytes).

Se 1 segundo de áudio gravado a 44.100Hz sample rate e 16-bits (qualidade CD) tem 88,2 kilobytes de tamanho, um ficheiro áudio com duração de 1 minuto terá um tamanho em memória de 60 (segundos) vezes 88,2 Kilobytes, ou seja aproximadamente 5,29 Megabytes (relembrem que 1000 Kilobytes é 1 Megabyte).

Entretanto é preciso ainda chamar a atenção para um outro factor importante que é o Stereo e o Mono.
Estará o áudio a ser gravado em Stereo ou em Mono? Se o áudio de duração de 1 minuto, do exemplo anterior, estiver a ser gravado em stereo, temos então dois 2 canais diferentes, o left e o right. Neste caso o tamanho do ficheiro será 2 vezes os 5,29 Megabytes (de cada canal), ou seja 10,58 Megabytes.

De acordo com os cálculos anteriores, é de prever que um CD-áudio contendo 10 temas, cada um com duração de 4 minutos, terá aproximadamente 423,2 Megabytes de informação gravada na sua superfície.



Recomendações para manter a boa qualidade do som durante as produções

A qualidade final do som de um tema sofre na maior parte das vezes um 'downgrade'.
A tendência para esta perca de qualidade é causada pela forma como o áudio é manipulado durante as produções. A forma como os efeitos de estúdio são usados e a baixa qualidade do seu processamento, a re-síntese danosa do áudio (função muito usada no time-stretching/pitch shifting) e a forma como o áudio é processado pelo 'Sound Engine' do próprio DAW, são só alguns exemplos.
O uso generalizado do Mp3 e outros formatos comprimidos para, cada vez mais, divulgar/mostrar a nossa música é o golpe final no 'downgrade' do áudio, oferecendo muitas vezes uma experiência sonora medíocre.

Deste modo, é sugerido que quanto maior é o cuidado em manter a qualidade do som elevada durante as produções, maior é a probabilidade do som continuar a soar bem quando tivermos uma versão final cá fora com qualidade degradada. Aqui estão algumas dicas que podem ajudar a manter a qualidade:

1- Na gravação de material ter em atenção em manter pelo menos 44100 Hz de sample rate (standard para qualquer gravação) e 24-bits (caso a vossa placa de som permita esta elevada resolução). Se o vosso software de produção permite processamento áudio interno a 32-bits ou superior, verificar se as configurações aproveitam ao máximo essa capacidade.
Dica: não se exige mais de 44100Hz sample rate a não ser que se grave material que tenha frequências sonoras acima dos 22050 Hz - talvez no futuro seja importante quando o DVD substituir o CD de uma vez por todas porque oferece qualidade áudio superior.

2- Nunca usar samples/sons que tenham menos do que 44100Hz sample rate e 16bits (formato .wav ou .aiff para mac). Abaixo deste patamar a qualidade das misturas são postas em causa, a não ser que seja suposto a música soar Lo-Fi. Mesmo que seja para criar uma mistura Lo-Fi é melhor partir de sons com boa qualidade e depois degradá-los com efeitos. Jamais usar samples/sons em formatos 'lossy' comprimidos, como o Mp3. Optar por usar sons em formato descomprimido .wav ou .aiff (para mac) é uma decisão inteligente.

3- Para quem faz produções usando muita informação midi e pouco áudio, tem a vida facilitada porque grande parte dos VST´s têm uma qualidade interna de som elevada (24bits ou mais). Para quem usa bastante áudio tem que ter atenção aos pontos referidos antes.

4- Regra geral manter os projectos de produção a 24 bits (standard). Projectos a 24bits ou mais já são standards.

5- Para aqueles produtores que usam software separado para pré-masterização da mistura final, optar sempre por exportar a mistura final no mínimo a 24 bits. Mantendo as misturas a 24 bits ou superior, durante a pré-masterização, produz o melhor resultado possível quando depois se exporta para outros formatos de menor qualidade (16bits ou Mp3).


Boas produções ear
L-band

« Última modificação: Terça, 16 Junho, 2009, 11:41:05 por L-band » Registado
Tiago Câmara
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« Responder #1 em: Quinta, 14 Junho, 2007, 17:06:23 »

ola..
 se tiver o ableton a 16 bit e gravar samples do reason (rewire), os waves fikam com baixa qualidade ou so influncia a qualidade final dps de renderizado?
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« Responder #2 em: Quinta, 14 Junho, 2007, 17:26:07 »

Viva o Lo-Fi, os 8 bits (ou menos...), o tube, a compressão e todas essas ferramentas que permitem fazer barulho!

 cantlook
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« Responder #3 em: Quinta, 14 Junho, 2007, 19:06:23 »

Tiago, no "resampling" via rewire a qualidade mantem-se. Se for a 24 Bit melhor ainda. smile wide
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« Responder #4 em: Quinta, 14 Junho, 2007, 21:41:55 »

o resampling interno do live permite os 32 bits... nao sera melhor?
dps de ler este post mudei o meu..
pk sinceramente nao estava a par da situaçao, pensava k isso era a placa audio k estipulava.. ja vi k sao coisas diferentes.. estamos a falar do funcionamento interno? certo?
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Alex G
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« Responder #5 em: Quinta, 14 Junho, 2007, 22:33:17 »

Pois permite 32 bit, mas a diferença de qualidade comparada com os 24bit a meu ver não é notória. Afinal esses bits correspondem apenas a uma taxa de resolução no processo do sampling/resampling. Como disse o L-Band: "Sendo o 'sample rate' a quantidade de bocados captados por segundo, o 'número de bits' é pois o tamanho desses bocados de informação. Quanto maior forem esses bocados/amostras maior é a definição que dão ao som. Mais bits, mais definição e detalhe." ... "A qualidade standard de um CD é 44100Hz e 16 bits"
 
Tiago, também tem a ver com o teu interface aúdio, Se fizeres por exemplo uma gravação com algum instrumento externo, em que a sua taxa de amostragem seja 8 bit não poderás
converte-lo para uma resolução mais alta. Pois o original foi samplado com aquela taxa de de bit's e dali não passa. Isso é como pegar no mp3 e converter para .wav, à espera que a qualidade aumente.

Certo? smile wide



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« Responder #6 em: Quinta, 14 Junho, 2007, 23:54:40 »

bla bla bla...Isso é como pegar no mp3 e converter para .wav, à espera que a qualidade aumente.

Certo? smile wide

perguntam isso pra mim sempre...looooooool
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« Responder #7 em: Sexta, 15 Junho, 2007, 00:00:40 »

certo Alex g, se a kualidade nao é notoria usarei 24 bit, chatice a minha placa ser 18 bits, sim.. 18 nao 16 estranhu ne? obrigado pelas dicas
abraço
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« Responder #8 em: Quinta, 02 Agosto, 2007, 21:14:11 »

Encontrei este artigo interessante que cobre muitos conceitos importantes já referidos anteriormente sobre gravações, qualidade do som, bits, sample rates, etc. etc..
 

link: http://www.24bitfaq.org/


O artigo é longo e detalhado, pena estar escrito em inglês para aqueles que não percebem.
Já não falo no mundo anglófono, mas os 8 milhões de suecos conseguem criar e disponibilizar mais informação variada na internet do que os 11 milhões de portugueses.. e se não fossem os brasileiros a salvar a malta..mas também eles são 108 milhões ou algo grin
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« Responder #9 em: Sexta, 17 Outubro, 2008, 10:54:06 »

O texto postado neste tópico (Qualidade do som - 'sample rate' e 'bits') foi hoje revisto e actualizado (17/10/2008).

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« Responder #10 em: Domingo, 14 Junho, 2009, 18:53:20 »

Tópico revisto e conteúdo actualizado. Data: 14/06 - 2009

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« Responder #11 em: Segunda, 15 Junho, 2009, 00:09:39 »

Outro topico importante! Irei lê-lo atentamente! smile wide
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http://www.myspace.com/electrojunkiedj
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« Responder #12 em: Segunda, 15 Junho, 2009, 03:41:00 »

Se o software de gravação permitir gravar em 32bits, optar sempre por activar esta opção.

O processamento interno de uma DAW pode ser superior a 24bit, a gravação nunca é superior a 24bit.

Falar do número de bits usado no processamento interno de uma DAW nada tem a ver com os bit-rate de um conversor AD.

A título de exemplo, e se a memória não me falha, o Pro Tools HD funciona com projectos áudio em 24bit fixed enquanto a arquitectura de processamento interno do programa em si funciona a 48bit double precision.

Sem entrar em explicações técnicas é sempre preferível trabalhar com busses internos superiores à taxa de amostragem ao bitrate da gravação pois dão-nos maior resolução quando trabalhamos com coisas tão simples como mover um fader, pan, etc. Dá-nos um maior dynamic range.

Muito redutoramente faço este exemplo. Todos nós já ouvimos os professores de matemática dizer para arredondar valores apenas no fim. O mesmo se passa com a diferença entre bits.

Se apenas tivermos 24bit de processamento interno... se fizermos uma conta do género 0,332 x 0,55 = 0,1826 o resultado que iriamos obter seria apenas 0,18. Com 48bit teriamos o resultado completo (0,1826).
Imaginando que este é o valor matemático para cada canal, ao fazermos uma mistura iriamos somar estes valores mediante o número de canais usados e só no fim se iria fazer o arredondamento para voltar aos 24bit do bounce final.
« Última modificação: Terça, 16 Junho, 2009, 16:40:35 por andreconde » Registado

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« Responder #13 em: Terça, 16 Junho, 2009, 11:52:07 »

O processamento interno de uma DAW pode ser superior a 24bit, a gravação nunca é superior a 24bit.

Falar do número de bits usado no processamento interno de uma DAW nada tem a ver com os bit-rate de um conversor AD.

Correctíssimo! Antes de mais obrigado André pela tua revisão, pois isso ajuda a manter a informação o mais correcta possível, para benefício de todos nós!
A informação já está actualizada.

Acrescentando ainda algumas palavras extra:
As melhores placas de som existentes actualmente gravam sim com resolução máxima de 24-bits. Placas de 32-bits talvez aparecerão no futuro, mas sinceramente é duvidoso que alguém precise de resoluções tão elevadas nas gravações, pelo menos em música (para humanos).. pois 32-bits ofereceria uma 'dynamic range' teórica de 192dB, o que é brutal.
Na realidade, existem placas de som que dizem gravar áudio a 24-bits (o que teoricamente alcançaria uma dynamic range de 144dB), mas na prática a maior parte delas nem ultrapassa os 20-bits..
O ouvido humano tem uma dynamic range de mais ou menos 140dB, que cobre todos os níveis de volume possíveis, desde o mais silencioso capaz de ser detectado até ao mais ruidoso, na fronteira da dor.
24-bits de resolução, efectivos na prática, é capaz de cobrir toda esta dynamic range do ouvido humano.


Sem entrar em explicações técnicas é sempre preferível trabalhar com busses internos superiores à taxa de amostragem da gravação pois dão-nos maior resolução quando trabalhamos com coisas tão simples como mover um fader, pan, etc. Dá-nos um maior dynamic range.

Ao invés da taxa de amostragem (ou sample rate), penso que te querias referir era ao número de bits (ou bit depth), certo? Porque o que afecta a dynamic range do áudio é o bit depth e não a taxa de amostragem.
Áudio a 8-bits tem dynamic range teórica de 48dB, áudio a 16-bits tem dynamic range teórica de 96dB, áudio a 24-bits tem dynamic range teórica de 144dB.. e por aí fora.
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« Responder #14 em: Terça, 16 Junho, 2009, 16:31:45 »

Pardon me... yes queria referir-me a bit depth e não ao sample rate, logicamente.  Cool

obrigado pela correcção carlos.

Sobre gravação, bits e samples rates... já existem novos equipamento a gravar a apenas 1bit mas com taxas de amostragem na ordem dos MHz. Diria que ainda é um pouco experimental mas já existem artistas/engenheiros que preferiram gravar dessa forma.
« Última modificação: Terça, 16 Junho, 2009, 16:36:27 por andreconde » Registado

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